Uma loja pequena, rosa, e um clube que ninguém chamou assim
A primeira sala no prédio da Rua São Manoel com a Protásio Alves era pequena. Funcional. E já era rosa. Não por estratégia. Por convicção. Em um mercado tradicionalmente masculino, rígido e sem cor, escolhemos pintar a loja de rosa e colocar todos ali dentro — inclusive os meninos. Corajosamente, sem pedir licença, sem explicar demais. O resultado foi imediato. A loja deixou de ser apenas um lugar de compra e virou ponto de encontro. Estudantes iam até lá para experimentar jalecos, mas também para conversar, se reconhecer, trocar histórias. Muitas vezes, para comer balas espalhadas pelo balcão. Para ficar. A sacola tinha um coração. E era cobiçada. Circular pela faculdade com aquela sacola era quase um sinal de pertencimento. Como se, silenciosamente, existisse um clube — sem regras escritas, sem discurso, sem exclusividade forçada. Um clube feito de afinidade, cuidado e reconhecimento mútuo. Foi nesse contexto que uma frase começou a aparecer com mais força. Não como slogan for...