Moda não como tendência, mas como estrutura

Enquanto o mercado ainda tratava o jaleco como peça utilitária, nosso olhar já era outro. Não porque quiséssemos romper com a função — mas porque entendíamos que função e estética nunca foram opostas. A inspiração nas passarelas internacionais nunca significou excesso. Significou estrutura. Silhuetas melhor definidas, proporções mais equilibradas, escolhas conscientes de materiais. O que aprendíamos observando a moda era traduzido com respeito ao contexto da saúde, ao movimento do corpo, ao desgaste diário da peça. O jaleco precisava durar. Precisava resistir. Precisava manter dignidade após muitas lavagens. E, ainda assim, precisava ter forma. Essa combinação — técnica rigorosa com olhar estético — não se improvisa. Ela nasce do fazer repetido, do erro corrigido, da costura refeita, do corte ajustado inúmeras vezes. Por isso, mesmo quando o termo “jaleco de moda” começou a circular com força, ele não nos causou estranhamento. Aquilo que estava sendo anunciado como novidade já fazia parte do nosso cotidiano há muito tempo. A diferença é que nós não falávamos sobre isso. Nós fazíamos.

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