Quando o mercado descobriu aquilo que já existia

Por volta de 2016, algo curioso aconteceu. O mercado começou a falar sobre personalização como se fosse novidade. O jaleco passou a ser chamado de “fashion”, “moderno”, “diferente”. Surgiram marcas, slogans, lojas coloridas, narrativas bem embaladas. Para nós, nada disso era exatamente novo. A personalização não nasceu naquele momento. Ela passou a ser nomeada naquele momento. Enquanto muitos começavam a discursar sobre diferenciação, nós continuávamos a trabalhar como sempre: atendendo cliente por cliente, cortando peça por peça, mantendo um rigor técnico que não comporta atalhos. O que mudou foi a percepção externa. Entre os estudantes, especialmente, o jaleco deixou de ser apenas uma obrigação acadêmica e passou a ser parte da identidade. E isso fortaleceu um vínculo profundo com a loja uniform. Cada jaleco carregava uma história. Cada escolha tinha um motivo. Nada era genérico porque nunca foi assim que soubemos fazer. O mercado descobria uma tendência. Nós seguíamos um ofício. E, silenciosamente, o jaleco ocupava um novo lugar — não por discurso, mas por existência.

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