Quando o jaleco encontrou uma geração
A Rua São Manuel nos colocou diante de algo que não se aprende em curso algum: a escuta diária de uma geração inteira em formação.
Estudantes da UFRGS, da UFCSPA, da PUCRS e da UniRitter cruzavam nossa porta com expectativas muito claras. Eles não queriam apenas um jaleco para cumprir exigência acadêmica. Queriam algo que os acompanhasse durante anos, que resistisse a jornadas longas, que não os apagasse dentro de um ambiente já tão rígido.
Foi ali que a personalização — que sempre existiu — ganhou outra dimensão.
Cada escolha fazia sentido:
o número de bolsos, a posição dos botões, o frescor do tecido, a forma como o jaleco se movia no corpo ao longo do dia. Não havia catálogo fechado. Havia diálogo.
Os bordados também seguiam essa lógica. Um mesmo símbolo universitário podia assumir cores diferentes, dialogar com o tecido, suavizar ou afirmar presença. Nada era aleatório. Tudo era pensado para aquela pessoa específica.
O jaleco não mudava quem a pessoa era.
Ele acompanhava.
E foi nesse espaço de confiança que algo curioso aconteceu: o jaleco começou a circular entre os estudantes como referência. Não como produto da moda no sentido superficial, mas como objeto desejado porque resolvia problemas reais — com beleza, técnica e intenção.
Sem perceber, estávamos formando uma cultura.