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Para o ano de 2026

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Tudo aqui já foi um sonho. Sonho não. Insônia. Foram noites acordadas. Conta que não fechava. Estratégia refeita na madrugada. Medo de não dar conta. Você também sabe. Pagou faculdade com o coração apertado. Montou consultório sem garantia nenhuma. Empreendeu enquanto todo mundo dormia. E agora dizem que não é o ano. Que tem eleição. Que a economia não ajuda. Que a Copa atrapalha. Que tem feriado demais. Que o cenário é desfavorável. A gente escuta. Mas decreta outra coisa. Haverá insônia. Haverá dificuldades. Haverá dias longos. E mesmo assim, você e nós vamos fazer deste o melhor ano das nossas vidas. Para honrar todas as noites em que ninguém viu a gente insistir. Desejamos a todos um Feliz 2026, que honre todo o nosso esforço! No nosso instagram, temos uma versão desse texto, escrito em uma madrugada!

Continuar pequena, mas ser referência

A Emporio Folie nasceu da vontade de preservar nossa essência: qualidade, personalização e paixão pelo detalhe. Não queremos crescer sem controle, nem buscar volume ou produção em massa. Queremos excelência. Nosso trabalho hoje é 100% voltado para a criatividade e para o digital. Ajudamos profissionais a construir autoridade, visibilidade e estilo através de jalecos que representam sua identidade, sem abrir mão do conforto e da sofisticação. O que antes era atendido pessoalmente, com visitas a consultórios e feiras, agora chega a todos que buscam uma peça feita com atenção e cuidado, inspirada nas passarelas internacionais, mas com a nossa assinatura artesanal. A história da loja uniform continua viva na Empório Follie: técnica, afeto e paixão pelo que fazemos nunca mudaram. O que mudou foi a forma de contar essa história ao mundo — como um emporio de possibilidades, pequeno no tamanho, gigante na ousadia.

Fechar para recomeçar

A decisão de fechar a loja não veio de falta de clientes, nem de reconhecimento. Veio da constatação de que estávamos vivendo para manter um modelo que já não nos representava plenamente. Durante a pandemia, tomamos a decisão de encerrar as atividades da loja física. Foi uma pausa necessária, um momento de silêncio, mas também de clareza: era hora de olhar para o futuro de forma diferente. Percebemos algo curioso: a palavra “uniforme” carregava preconceito. Para muitos, sugeria padronização, hierarquia inferior, uma rotina sem expressão. Mas, para nós, a prática artesanal nunca perdeu valor. O que precisava mudar era a forma como nos apresentávamos ao mundo. E assim nasceu a Emporio Folie. Emporio, aqui, não é sobre grandeza física. É sobre repertório, cuidado, acúmulo de técnica e obsessão por detalhes. Um espaço de criação, um refúgio artesanal, onde cada jaleco é pensado, feito e cuidado como se fosse único. Folie, a ousadia e a loucura criativa que nos movem. É a capacidade de ...

Quando o trabalho já não dava conta de tudo

Mesmo com a loja dos sonhos aberta, a vida seguia intensa. Domingo a domingo, cliente a cliente, nós entregávamos tudo o que sabíamos: técnica, atenção, cuidado artesanal. Cada jaleco continuava sendo único, cada bordado planejado, cada escolha de botão discutida. Mas algo estava mudando. O esforço físico e emocional de sustentar o espaço maior começou a pesar. O reconhecimento local continuava, a renda existia, mas o trabalho exigia um ritmo que não fazia sentido manter para sempre. Enquanto isso, surgiam novas marcas. Muitas se apresentavam como inventoras do que, na prática, já existia há anos. Falavam de moda, tendências e originalidade. Mas nós, quietas, continuávamos com a mesma paixão de sempre, cuidando de cada cliente, de cada jaleco, de cada detalhe. A excelência, sozinha, já não garantia destaque. Era hora de refletir sobre o que queríamos de fato: continuar em uma rotina exaustiva ou buscar outra forma de existir sem abrir mão da qualidade.

A loja dos sonhos, por um tempo

Depois de muitos anos na Rua São Manoel, e após a experiência da primeira sala pequena no prédio, surgiu a possibilidade de ocupar um espaço maior. Ainda no mesmo endereço, na esquina da Rua São Manoel com a Protásio Alves, abrimos aquela que, por muito tempo, imaginamos como a loja ideal. O espaço existiu. Foi real. Funcionou. Era uma loja ampla, que permitia respirar, receber melhor, organizar processos e dar visibilidade a tudo aquilo que sempre fizemos com rigor técnico e cuidado artesanal. Por alguns anos, aquele lugar foi o endereço da loja uniform. O caminho até ali não foi simples. Contratamos um empreiteiro para a reforma. O plano era simples: adaptar o espaço, respeitar a funcionalidade, manter a identidade. Mas o que deveria ser apenas uma etapa prática virou um revés profundo. A reforma não aconteceu. O empreiteiro desapareceu. O prejuízo ficou. Foi nesse intervalo suspenso — entre o sonho e a frustração — que chamamos nosso tio, que vivia no interior e trabalhava como ...

Uma loja pequena, rosa, e um clube que ninguém chamou assim

A primeira sala no prédio da Rua São Manoel com a Protásio Alves era pequena. Funcional. E já era rosa. Não por estratégia. Por convicção. Em um mercado tradicionalmente masculino, rígido e sem cor, escolhemos pintar a loja de rosa e colocar todos ali dentro — inclusive os meninos. Corajosamente, sem pedir licença, sem explicar demais. O resultado foi imediato. A loja deixou de ser apenas um lugar de compra e virou ponto de encontro. Estudantes iam até lá para experimentar jalecos, mas também para conversar, se reconhecer, trocar histórias. Muitas vezes, para comer balas espalhadas pelo balcão. Para ficar. A sacola tinha um coração. E era cobiçada. Circular pela faculdade com aquela sacola era quase um sinal de pertencimento. Como se, silenciosamente, existisse um clube — sem regras escritas, sem discurso, sem exclusividade forçada. Um clube feito de afinidade, cuidado e reconhecimento mútuo. Foi nesse contexto que uma frase começou a aparecer com mais força. Não como slogan for...

Quando o discurso ficou mais alto que o ofício

Com o tempo, começaram a surgir muitas lojas de jaleco. Cada uma com sua narrativa, seus slogans, suas promessas. Em convenções e eventos, empresários subiam ao palco para contar como haviam “inventado” o jaleco moderno. Enquanto isso, seguíamos atendendo. Cliente por cliente. Necessidade por necessidade. Entendíamos que um jaleco para quem atende em consultório não é igual a um jaleco para quem trabalha em laboratório. Que o número de botões muda o conforto. Que o tipo de tecido interfere na concentração. Que a modelagem impacta a postura. Esse conhecimento não vinha de pesquisa de mercado. Vinha de décadas de prática. O contraste ficou evidente: enquanto muitos construíam discurso, nós sustentávamos o ofício. E isso nos colocava em um lugar curioso — respeitadas localmente, copiadas silenciosamente, mas raramente citadas. Não por falta de qualidade. Mas por excesso de chão. A loja uniform sempre foi mais fábrica do que palco. Mais mesa de corte do que vitrine conceitual. E, po...