Quando o trabalho já não dava conta de tudo

Mesmo com a loja dos sonhos aberta, a vida seguia intensa. Domingo a domingo, cliente a cliente, nós entregávamos tudo o que sabíamos: técnica, atenção, cuidado artesanal. Cada jaleco continuava sendo único, cada bordado planejado, cada escolha de botão discutida. Mas algo estava mudando. O esforço físico e emocional de sustentar o espaço maior começou a pesar. O reconhecimento local continuava, a renda existia, mas o trabalho exigia um ritmo que não fazia sentido manter para sempre. Enquanto isso, surgiam novas marcas. Muitas se apresentavam como inventoras do que, na prática, já existia há anos. Falavam de moda, tendências e originalidade. Mas nós, quietas, continuávamos com a mesma paixão de sempre, cuidando de cada cliente, de cada jaleco, de cada detalhe. A excelência, sozinha, já não garantia destaque. Era hora de refletir sobre o que queríamos de fato: continuar em uma rotina exaustiva ou buscar outra forma de existir sem abrir mão da qualidade.

Postagens mais visitadas deste blog

Continuar pequena, mas ser referência

Quando os jalecos existiam, mas não acompanhavam quem os usava

Rua São Manoel: quando o artesanal ganhou endereço