Quando o jaleco precisou funcionar melhor
Os jalecos que existiam cumpriam uma função básica: cobrir.
Mas quem os usava sabia que isso não bastava.
No dia a dia, eles esquentavam demais, amassavam com facilidade, limitavam o movimento e ignoravam completamente o corpo de quem trabalhava. Eram peças pensadas para um padrão único, quase sempre masculino, aplicadas de forma genérica a profissões muito diferentes entre si.
Foi nesse contexto que o jaleco começou a ser observado com mais atenção — não como símbolo, mas como ferramenta.
Nossa mãe costurava. E, ao costurar, percebia o que não funcionava. Tecidos que não respiravam, costuras que repuxavam, mangas que atrapalhavam o trabalho, comprimentos que não respeitavam a rotina de quem passava horas em pé, sentada, atendendo, se movimentando. Cada ponto ajustado era uma resposta prática a um problema real.
O primeiro jaleco melhorado não nasceu para ser vendido.
Nasceu para ser usado.
A partir dele, outros pedidos começaram a surgir. Ajustes simples, no início: uma manga diferente, um tecido menos rígido, um caimento um pouco mais cuidadoso. Pequenas decisões que, somadas, mudavam completamente a experiência de uso.
Nesse momento, o jaleco deixou de ser apenas uniforme e passou a ser algo pensado. Ainda sem nome, sem discurso, sem intenção de mercado. Apenas prática e observação.
Foi também nesse período que o jaleco começou a se aproximar do corpo feminino com mais respeito. Não como adorno, mas como estrutura. A cintura passou a existir. O movimento passou a ser considerado. O conforto deixou de ser detalhe.
Nada disso era anunciado.
Nada disso era explicado.
Era feito.
Esse segundo capítulo da história da loja uniform não fala de expansão, nem de visibilidade. Fala de atenção. De alguém que, diante de uma peça antiquada, decidiu perguntar: e se funcionasse melhor?
A resposta veio no silêncio do trabalho manual.
E ela ainda sustenta tudo o que veio depois.
Quando os jalecos existiam, mas não acompanhavam quem os usava
Os jalecos sempre estiveram ali. Eles existiam, sim — pendurados em cabides pouco gentis, feitos de tecidos que amassavam só de olhar, com cortes retos, duros, masculinizados. Eram peças pensadas para funções genéricas, não para pessoas reais. Muito menos para mulheres que passavam o dia inteiro trabalhando, estudando, atendendo, se movendo. Em Porto Alegre, nos anos 90, quem precisava de um jaleco encontrava opções antiquadas. Tecidos quentes, modelagens sem forma, botões grandes demais, acabamentos ásperos. Jalecos feitos para durar pouco no corpo e muito pouco na memória. Funcionavam no papel, mas falhavam no uso diário. Foi nesse cenário que tudo começou — não por desejo de criar algo novo, mas por necessidade de fazer melhor. A primeira mudança aconteceu dentro de casa. Nossa mãe costurava. Costurava bem. E foi a partir de uma demanda concreta, pessoal, quase doméstica, que ela começou a olhar para o jaleco como peça técnica: algo que precisava proteger, mas também permitir mov...